Um paciente em estado terminal

Ponte sobre o Rio São Francisco, Bom Jesus da Lapa – BA
       Quando um paciente encontra-se com uma doença grave, tipo um câncer, se o estado é avançado, a única chance se sobrevivência é um tratamento mais radical, como, por exemplo, uma radio ou quimioterapia. A etapa de se tratar com florais, alimentação natural, sem agrotóxicos, e todo os procedimentos preventivos, já ficou para trás.
     
        No caso do rio da integração nacional, o Rio São Francisco, a situação é semelhante. Há décadas que os ambientalistas alertam para a necessidade de revitalização de suas margens e cuidado com as nascentes. Os avisos parecem ecoar no deserto, sem ninguém para ouvi-los. Pelo menos é assim que parecem se portar nossos “homens públicos” (políticos né). Na farra do desenvolvimentismo, foram construídas barragens e, com grande alarde, o projeto de transposição de suas águas, para abastecer reservatórios da região. No entanto parece (?) que nada foi feito no tocante a sua revitalização. É fato que a vazão do rio vem diminuindo e atualmente, com a grande seca que assola o Brasil, sua vazão chegou ao mínimo. O lago de Sobradinho encontra-se com 15% de sua capacidade, era cerca de 30% a um ano atrás. Esperar pelas chuvas? Bem. . . fato é que as séries históricas de chuvas não são mais válidas. Por mais que não gostemos, as anomalias climáticas, decorrentes do aquecimento global, causados pelos gases de efeito estufa, são uma realidade! E enquanto o Papa Francisco, em sua encíclica, chama a todos à ação, nossos “dirigentes” estão preocupados com sua própria causa, ou seja, manutenção ou busca pelo poder.

      No caso do Rio São Francisco, já em estado moribundo, ações emergenciais seriam necessárias, mas não vemos nada sendo feito. A tal transposição trouxe grandes benefícios, para as empreiteiras é claro! O povo, este para qual todos os projetos são desenhados, é o último a ser beneficiado,  se chegar a ser! A transposição, orçada em uns 8 bilhões de reais, está comprometida, pois não há garantia de que haverá água na próxima temporada (lembrem-se, as mudanças climáticas já estão causando a maior seca da Califórnia, a Austrália ficou mais de dez anos em seca, quem arrisca aposta que o Rio São Francisco volta a encher?).
       Assim, uma ação remediadora, como uma quimioterapia , seria a tão polemica transposição das águas do rio Tocantins para o lago de Sobradinho, alimentando o rio São Francisco. Esta ação garantiria a atividade econômica do Vale do Rio São Francisco, a saber, a agricultura irrigada, e a razão de ser do projeto de transposição do Rio São Francisco. No entanto, se depender do governo federal, esta transposição (Tocantins para o São Francisco) não ocorrerá tão cedo! Devem estar aplicando o “método científico”, só vão acreditar quando o rio secar! Quando isto ocorrer a economia de região já estará em colapso, aumentando o desemprego e criminalidade (aliás, brasileiro adora virar ladrão quando não há emprego, no caso dos “homens públicos”, nem o emprego basta né). Os ruralistas fecharão suas fazendas e se mudarão para outra fronteira agrícola (veredas da Bahia? Amazônia?). E, como sempre, os mais pobres serão os primeiros a serem prejudicados (como alertado na encíclica papal). No entanto, as mudanças que estão ocorrendo não afetarão somente os pobres do planeta, é uma questão de tempo, todos seremos afetados!
     
      Em todo caso, estamos adentrando no admirável mundo novo, onde a palavra mais comum será colapso.  Falar de crise hídrica é uma inverdade, estamos diante do “colapso hídrico”. ..

Amanhecer na Serra da Mantiqueira, região ainda bela,
no entanto as nascentes estão secando.

       

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